Pelo pouco conhecimento que eu tenho, minha vontade é de escrever somente sobre a beleza da nossa diversidade como individuo, mas equilibrando-se entre o injustiçado e o juiz daqueles que tem fome e sede de justiça, irei me alimentar um pouco por aqui.
Participei como voluntaria de uma Festa de Peão de Boiadeiros, na cidade de Barretos, no interior de São Paulo, foi minha primeira vez neste trabalho. Foram dez dias intrínsecos dentro da cultura sertaneja, dentre músicas boas de raiz até um novo estilo como “Funknejo”, falando de sexo com expressões caipiras. Por todos os lados da festa eram os chapéus, fivelas e botas, diferentes expressões de linguagem e outras coisinhas a mais.
Vibrei com a galera na arena ao ver os peões lutando entre seu sonho e os oito segundos em cima do touro. Ali não eram simplesmente homens querendo ganhar só fama ou dinheiro (que por sinal era muito), mas sim criança-menino que cresceu cheirando a esterco e seu meio de transporte foi um cavalo.
Tive a oportunidade de assistir a um desfile da Rainha do Peãozinho Mirim, que supostamente eram meninas e meninos de faixa etária entre 8 a 16 anos, um sonho para aqueles que não montam, mas querem fazer parte da historia de sua cultura sertaneja.
Estou ainda procurando um termo, uma palavra que expresse essa mazela que trazemos em nós como cidadãos brasileiros. Falamos tanto sobre combater a pedofilia,que não observamos o quanto incentivamos os nossos filhos ( para aqueles que são pais ) e crianças ao nosso redor a despertar o desejo sexual de homens com desequilíbrio nesta área ou não tanto desequilibrado.Como posso condenar alguém de abusar sexualmente de uma criança a qual eu modelei , sabendo ou não para esta finalidade ?
Enquanto eu via o desfile, eu perguntava para algumas pessoas por perto, se aquela criança ou pré-adolescente realmente tinha 12 anos, por que ela poderia muito bem ser contratada para a próxima capa da revista Playboy edição “sertaneja”. Foi triste, e tem sido triste, talvez esta seja a palavra que estava procurando: Tristeza.
Quero ter uma filha, e desde já eu preocupo com sua segurança, com o que terei para oferecer a ela enquanto ela se desenvolve como mulher. Não quero deixá-la como produto onde qualquer homem irá desejar seu corpinho, ainda em formação.
“Não deis lugar ao mal”, A culpa é nossa! Se é que precisamos de um culpado pra fazer alguma coisa contra. Não estou justificando, nem absolvendo os pedófilos, mas precisamos olhar mais além daquilo que é nojento, olhar seu passado, sua criação, o porquê este desejo diabólico formou dentro dele. Nós precisamos reconstruir mais nossa mentalidade de objetivos e padrões de beleza em nós e na nossa prole, tanto quanto o abusador de mini-barbies.


