
-Tia, você sabe onde Deus mora?
-Não. Respondi com curiosidade;
-Ah! Eu sei... Disse ela cruzando seus bracinhos. Ele mora junto com sua vovó e seu vovô, na casa deles.
Uma das coisas que me faz parar e observar é o comportamento das crianças. Tenho algumas amiguinhas, e muitas vezes eu entro na delas e deixo-me transformar em “mamãe” ou “filhinha” só de mentirinha, e é tão divertido. Mas o que gosto mesmo é de conversar com elas, ouvir suas histórias e pequenos pontos de vista sobre determinadas coisas. Não estou querendo chegar aqui a nenhuma teoria sobre as fases do comportamento infantil, apenas expor o quanto é normal nos igualarmos a elas.
Quanto mais eu conheço a feminilidade de Deus, mais aumenta o meu inconformismo com a desvalorização em nós mulheres na Sociedade Brasileira, é um sistema opressor de padrão de beleza que está cada vez mais presente ao nosso redor.
Magras, altas, com salto, desbundadas, silicone, com chapinha, brancas e olhos azuis! Cérebro? Hum? O que?
Já visitei outras culturas fora e dentro do Brasil, e todas tem seu próprio Padrão de Beleza, algumas me beneficiaram temporariamente fazendo-me sentir uma TOP MODEL (lembrando que eu não faço o perfil brasileiro do padrão de beleza) Mas e ai, devo mudar para este lugar? Seria uma grande idéia, mas ao passar do tempo provavelmente eu depararia com outros padrões de qualquer outra coisa.
Beleza é fundamental, dizia o poeta; e eu assino embaixo! Agora onde definimos o belo do feio? Quem nos diz o que é certo? Como já dizia meu amigo Paulinho, quem inventou que o morango é vermelho e não amarelo?Eu posso chamá-lo de Amarelo e ele continua sendo morango.
Isso é diversidade! Dizem as más línguas. Ser diverso é ser escravo?Por favor, não confundamos as coisas, até porque são atos e não somente fatos, olhares desencorajadores que me fazem reviver momentos onde o domínio sobre meu próprio corpo nunca existiu, quem sabe estivesse lá e eu nunca observei.
Quando será que a menininha poderá colocar seu vestidinho azul quadriculado com lacinhos no cabelo e rodar... rodar...rodar ? Ter o sonho de tornar-se médica ou uma artista plástica e não a nova loira do “tchan”?( por sinal não existe mais, um a menos! ) Simplesmente ser ela, criança, contadora de estórias, menina – moça, ter seu próprio clubinho, mas desta vez incluir o bolinha, deixar ser frágil, sem empecilhos de tornar-se uma heroína, lutar em igualdade com o sexo oposto,exalando a maravilha de ser mulher, sem ter a necessidade de ter \ser um perfeito corpo estereótipo cultural.
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